quinta-feira, 10 de maio de 2012


Nascimento de uma Paixão



Com um suspirar vento gelado,

Pude sentir levemente

As carícias ardentes

De um amor verdadeiro.

Através da imaginação

O corpo queimava como um vulcão


Mostrando o que acontecia

Dentro do coração.

O vento quebrava a dor da solidão

Levava para longe

A incerteza de uma paixão

E trazia para perto

Paz, Alegria e Emoção,

E calmamente podia sentir

Sedução.


Tentava buscar explicação

Para o que acontecia,

Mas apenas a certeza permanecia.

O amor que acabara de nascer

Nos preenchia e nos envolvia

Com tamanho sentimento

De muita alegria.



                                                    Joyce Silva


terça-feira, 1 de maio de 2012

Não

         Certo dia um amigo me entregou uma carta e ao ler tive a certeza que o não quando necessário, deve ser dito. A carta dizia assim:

“Amigo, nem sei como estou conseguindo escrever esta carta, mas apesar das minhas mãos ainda estarem trêmulas, acredito que seja preciso escrever e lhe contar o que aconteceu comigo. Espero que meu relato possa servir como exemplo para muitos.

            Desde a minha infância escutava minha mãe dizendo para ter cuidado com as companhias, que não deveria deixar me influenciar pelos outros, etc, etc, etc... e para dizer a verdade para você, sempre achei aqueles comentários dela cafonas de mais e nem se quer dava atenção a eles. Tava nem ai para o que ela dizia, eu gostava mesmo era de sair com os meus amigos, me divertir. Confesso que sempre fui na minha, e as vezes me sentia até tímido e isolado dos outros meninos da minha idade. Os meus amigos eram bem “descolados” e sempre estavam conversando com alguma garota, era o centro das atenções. Nas festas que íamos, eles sempre conseguiam ficar com alguma garota. Ás vezes até ficava com inveja deles, afinal nenhuma garota queria ficar comigo. Mas apesar de tudo isso, gostava de sair com eles, me divertia bastante.

            E foi numa dessas festas que conheci uma garota e não tendo muita coragem de chegar nela, me oferecem um negócio e me disseram que eu iria ficar mais descolado e enturmado com a galera, ai sim a menina ia logo gostar de mim. No começo não queria, mas meus amigos começaram a zuar de mim, me chamando de careta e acabei topando. No começo achei o maior barato aquele negócio. Ficava mais alegre e descolado. Até comecei a curtir mais aquelas festas.

            Não tinha mais vergonha para mais nada e quando tava afim de alguma garota já chegava junto e sempre acabava ficando com a menina.

            Só que minha mãe começou a pegar no meu pé e acabei tendo que conseguir aquele negócio escondido. Teve até uma vez que quebrei uma mesa lá de casa, tava querendo grana e minha mãe não queria me dar.  Ai virei o “bicho”. Precisava de grana, e ninguém queria mais me arrumar aquele negócio de graça, até mesmo aqueles que falavam que eram meus amigos começaram a negar.

            E assim foi se passando. Aquilo já fazia parte da minha vida. Nem ia mais à escola, achava que não precisava mais. Achava escola careta. E cada dia que passava fazia falta ficar sem ele, não conseguia mais. E quando não tinha grana, o jeito era pegar alguma coisa lá de casa para tentar vender ou trocar. Precisava dele a todo instante. Tive até umas sensações meio esquisitas, mas nem ligava. Parecia que as pessoas queriam me perseguir. Teve até vezes que vi uns monstros me seguindo, uma coisa muito louca. Mas a vontade de tê-lo era maior e cada dia que passava se tornava mais presente em minha vida.

            Fui internado diversas vezes, mas sempre fugia. Achava que não era louco para ficar naquela clinica, e sempre arrumava um jeito de sair dali.

            Mas um dia quase na beira da morte, resolvi me livrar daquele negócio que achando que estava me fazendo bem, estava me matando. Aquele negócio meu amigo, é uma DROGA e sempre vai ser. Por isso, não deixe que isso destrua sua vida. Hoje estou aqui nessa clinica, tentando me recuperar do tempo que perdi. Por isso meu amigo, diga sempre Não antes que seja tarde de mais".



Publicado no Jornal da Manhã-19/06/2011-Caderno 2 – Coluna Vida Urbana.

quinta-feira, 26 de abril de 2012


Faça o queira




Toque a última dança,


Como se ela fosse a primeira.


Cante como um grito de sabiá.


Respire o ar com prazer.

Dance a valsa veroneza,


Viaje pelos piores mares,


Não tendo medo do barco virar.


Grite pela paz,


Mesmo se ninguém tiver lhe escutando.


Beije, com a doçura das flores,


Não tendo medo da resposta.


Ame, mesmo não sendo correspondido.


Ande descalço


Pelas ruas da cidade grande.


Vibre pela Vitória,

Chore pela derrota.


Grite, chore, dance, toque.


Faça tudo aquilo que tenha vontade.


Queira um amor maior que você.


Queira a paz mesmo que demore a chegar.


Não se esconda,


Vista o branco, amarelo, azul, rosa, preto... não importa


O que importa é que você goste de você, e


Que quando pensar em ficar triste, PARE!


Olhe a sua volta... reflita e


Não se preocupe em sofrer,


A dor nos ajuda a crescer.


Viva intensamente!




 


Joyce Silva




terça-feira, 17 de abril de 2012





Queria não senti-la, não saber seu significado,

Mas quando penso que não existe

Ela vem me atormentar.

Muitas vezes o coração acelera,

Aperta...dói...treme...

Tento entende-la, mas não consigo

Ora se torna bom

Lembrar daqueles momentos,

Recordar os velhos tempos,

Que apenas ficarão guardados e jamais apagados.

Ora se torna ruim

Lembrar de quem se foi

E que nunca mais voltará.

Tento lembrar apenas da alegria,

Mas a tristeza persiste ao pensar

Na partida.

Ah! Saudade...

Por que não trocar seu significado?

Por que tentar esquecer e não mais sofrer?

Mas não, a saudade não tem compaixão,

Vive constantemente em nossas vidas

E não tem explicação.

Ah! Tempo que não volta,

Apenas fica guardado na memória

Fazendo com que sintamos saudade

Daqueles que foram, daquilo que mudou,

Daquilo que se transformou.

E se um dia ela se for,


Deixará saudade em quem ficou.

Saudade...









Joyce Silva

segunda-feira, 9 de abril de 2012



Ser diferente é ser igual

         No último dia 21 de março, o Mundo comemorou o Dia Internacional da Síndrome de Down. O que ainda muitas pessoas não sabem, é que a Síndrome de Down não é uma doença.  A síndrome é causada por um erro na divisão das células durante a formação do bebê ainda quando é um feto.

         Apesar de muito se falar sobre o assunto, ainda há pessoas que persistem em achar que isso é contagioso, ou pior ainda, que uma pessoa que possui a síndrome não pode ter uma vida normal. Pelo contrario do que ainda muitos pensam, ela não é contagiosa e qualquer pessoa que tenha, vive normalmente. Essas pessoas vivem em sociedade como qualquer pessoa, e desenvolvem qualquer atividade, como: trabalhar, estudar, se divertir, namorar, casar, enfim, são pessoas como qualquer outra.

         É de extrema ignorância achar que essas pessoas devem viver isoladas do mundo. Uma opinião extremamente ignorante. Pessoas com a síndrome trabalham normalmente, como a atriz Joana Mocarzel, que interpretou a Clara, na novela Páginas da Vida, da rede Globo. Diversas outras pessoas como Joana vivem em sociedade e buscam o que qualquer outra pessoa quer: ser feliz.

         Julgar as pessoas pela aparência é não querer olhar para si mesmo, pois todos nós somos diferentes. Até mesmo as pétalas de uma rosa que parece serem idênticas, se olhada mais de perto, notar-se-á suas diferenças; ou uma pétala está maior que a outra, ou talvez esteja com a cor mais clara que as demais.

         Ninguém é igual a ninguém, somos diferentes e é está diferença que faz cada um de nós especiais. Cada um tem um dom, um carisma, um jeito de falar, de andar...um jeito de ser.   

         Quando olhei todas aquelas crianças da Apae felizes e alegres pelo fato de estarem vendo pela primeira vez uma peça de teatro, meu coração encheu de tamanha alegria, pois pude perceber em cada olhar uma felicidade sincera e que foi capaz de contagiar a todos que estavam ali. Não pude explicar, mas apenas sentir. E ao final da peça, quando recebi o abraço de uma delas, meu coração se encheu mais de alegria. Percebi naquele exato momento que seja qual for a nossa diferença, quando se ama, quando se busca a felicidade, tornamos iguais, e seja qual for o nosso problema, seremos sempre iguais. Tornamos iguais no amor eterno que sentimos pela outra pessoa, e pela felicidade que sempre buscamos.

         Viver em pleno século XXI achando que aqueles que possue a síndrome de down é diferente, é andar no retrocesso. É querer voltar em uma época em que nem água encanada tinha nas casas. É ser uma pessoa pequena. Pequena na ignorância e pequena mais ainda por possuir o preconceito.

         Não deve ser apenas no dia 21 de março a ser lembrado como o Dia Internacional da Síndrome de Down, mas em todos os outros dias do ano. Deve ser lembrado que há pessoas que apesar de terem uma síndrome, são iguais, e que certamente tem muito a nos ensinar, principalmente no amor que estas pessoas são capazes de transmitir. Ser diferente é ser igual.



Texto publicado no Jornal da Manhã em 01/04/2012- Coluna Vida Urbana

                 

        

terça-feira, 27 de março de 2012



           O Dom da Vida

          Todos nós temos a maior das riquezas que uma pessoa pode ter: a Vida. Desde o nosso nascimento, recebemos o dom da Vida e fazemos dele o mais precioso dom que podemos ter.


            Amamos viver, seja qual for esse jeito: de uma forma calma, ou mais agitada, não importa, o que importa é que vivamos da melhor forma possível. E sempre respeitando o espaço do próximo.
            O que infelizmente algumas pessoas não entendem é que cada Vida é preciosa e que se eu quero viver da melhor forma, o outro também quer. Muitos ainda não pensam dessa forma e acabam tirando sem dó e piedade a vida alheia. É o que é noticiado quando mulheres maldosas e sem escrúpulo algum, dão a vida a uma criança e depois, sem nenhum sentimento bom tiram essa mesma vida, deixando crianças dentro de sacos plásticos ou até mesmo em lixões. E o resultado: crianças inocentes perdem a vida antes mesmo de ter começado a vivê-la. Assim como essas mulheres destroem a vida de inocentes, balas perdidas, guerras entre pessoas, intolerância entre os seres humanos também são capazes de destruir o dom da Vida.
            Quantas vezes sonhamos com um futuro melhor, planejamos uma família, lutamos por um novo emprego e tudo porque desejamos viver. Queremos sonhar, lutar, conquistar o nosso espaço através da dedicação e esforço que temos. E isso só é possível graças a esse dom da Vida que cada um de nós tem.
            O dom da Vida deve ser respeitado sempre buscando o melhor, mas de forma sadia e respeitosa.
            Certa vez quando voltava do trabalho, uma cena curiosa me chamou a atenção. Um andarilho acabando de comer o pouco pedaço de pão que tinha, ajoelhou e começo a rezar, e apesar das dificuldades que aquele homem estava passando, a primeira coisa que ele agradeceu foi de estar vivo.
            Pude entender que nada para aquele homem estava sendo fácil e que certamente muitos problemas ele tinha. Ele poderia reclamar, dizer que a sua vida era uma droga e que não queria estar passando por nada daquilo. Certamente ninguém deseja passar fome e nem ter um lar, mas mesmo tendo, digamos uma vida difícil, aquele homem pode agradecer por ela, por estar vivo e poder acordar todas as manhãs com a esperança de dias melhores, e que o fato de estar vivo, já era o suficiente para que ele agradecesse todos os dias por esse dom que Deus tinha lhe dado.
            Viver em um mundo perfeito certamente ninguém viverá, mas o fato de estar vivo já é o suficiente para que nós tenhamos forças e que continuemos lutando e buscando a realização de nossos objetivos.
            Dom da Vida...Será que todos os dias agradecemos por estar vivo? Será que realmente damos valor a esse dom precioso que temos? Será que a ganância que temos em querer sempre mais, dá espaço para refletirmos que só é possível a realização de nossas metas devido ao fato de estarmos vivo? Agradecemos então diariamente a esse dom: o Dom da Vida.


Publicado no Jornal da Manhã em 25/03/2012-Coluna Vida Urbana
            
        




segunda-feira, 12 de março de 2012

 Mulheres

         Baixa, alta. Gorda, magra. Cabelo liso, enrolado, pintado, natural. Curto, longo, médio. Branca, morena, amarela, mulata. Loira, morena, ruiva. Dona de casa, empresaria, operadora de caixa, gerente, telefonista, atendente, vendedora, consultora, contadora, administradora de empresas, cozinheira, enfermeira, médica, dentista, professora.

        Nutricionista, garçonete, bailarina, jornalista, escritora, artista plástica, poetisa, cantora, atriz, apresentadora, juíza, advogada, engenheira, arquiteta. Casada, solteira, viúva, divorciada. Mãe. Mulher. Simplesmente Mulher.

        Não importa qual seja o seu modo de vestir, seja ele mais simples ou extravagante, ou seja, lá qual for a sua cultura, raça, religião, a mulher constantemente vem ganhando seu espaço. Um espaço que ainda reluta em ter certos preconceitos, mas não importa, pois as mulheres estão mostrando que também são capazes de desenvolver algumas atividades que anos atrás só eram desenvolvidas pelos homens. Anos atrás não se via mulheres trabalhando em construções, por exemplo, mas hoje já notamos a presença destas mulheres trabalhando como encanadoras, eletricistas, pedreiras, mestra de obra. Sim, as mulheres estão mostrando que também são capazes.

        Certo que há trabalhos que precisam ser desenvolvidos com a força humana, como descarregar um caminhão com sacos de cimento, mas por detrás daquele volante do caminhão, pode estar uma mulher que certamente não deixará de lado sua feminilidade. Com um batom nos lábios, cabelos bem penteados, lápis para realçar os olhos, a mulher mostra a cada dia que passa que seja qual for o seu trabalho diário, ela nunca deixará de lado seu lado mulher.

        Mulher guerreira que quando volta para casa depois de um longo dia de trabalho, inicia sua segunda jornada de trabalho e com o mesmo sorriso e dedicação que desenvolveu as atividades no dia, ela continuará, pois preparará o jantar da família, cuidará com ternura dos pais, ou ainda terá animo para contar uma história para o filho dormir.

        Mulheres de garra que defendem com unhas e dentes quando o seu lar está sendo ameaçado e que sem pensar são capazes de sacrificar a própria vida.

        Mulheres que levantam de madrugada para dar o alimento que o filho necessita. Mulheres solidarias que tiram a blusa do corpo para poder aquecer aquele que sofre com a pobreza.

        Mulheres lindas que mostram sua beleza através de um simples sorriso e que são capazes de conquistar a todos através de sua dedicação e amor.

        Mulheres apaixonadas que amam com todo o coração.

        Mulheres sonhadoras que acreditam que ainda o Mundo será melhor e que as guerras darão espaço para a Paz. Mulheres...Mulheres...

        Como descrever estas mulheres que sorri, chora, luta, trabalha, sonha e que cada dia que passa vem conquistando cada vez mais seu espaço e que apesar de serem vistas como seres frágeis, mostram o contrario. Mostram que são fortes, guerreiras, batalhadoras, lutadoras e acima de tudo Mulheres.

Texto publicado no Jornal da Manhã- 11/03/2012- Coluna Vida Urbana